Qual é para todos a grande certeza da vida? Sem sombra de dúvidas é ela, a morte. E porque será que sobre ela tão pouco se fala, ou melhor, se pensa? Será que é uma forma inconsciente, ou talvez consciente, de fuga. O certo é que a verdade é essa, e ninguém pode esconder, ou escapar - todos nós, um dia, vamos morrer. Mas porque falar de morte, se podemos falar de vida. Ora, simplesmente, porque a morte, em verdade, não existe, somos todos imortais, "nada se perde, tudo se transforma.". A morte se constitui em nada mais, nada menos, do que um constante aviso, um eterno chamado para que despertemos e possamos valorizar aquilo que é imortal: a nossa essência, a nossa alma, o nosso espírito. " Conhece a ti mesmo", busca os valores perenes, para que investir naquilo que é efêmero se daqui nada se pode levar. Tudo o que for daqui, aqui ficará. Só levarás contigo aquilo que verdadeiramente lhe pertence, "Daí a Cézar o que é de Cézar, daí a Deus o que é de Deus". O homem, contudo, teima em perseguir cegamente a conquista de tudo aquilo que é irreal, tudo aquilo que morre com a nossa morte; identificando a totalidade do seu ser ao vazio mundo das ilusões, das miragens. E, no entanto, está aí a morte, um verdadeiro chamado à vida, a eterna vida que habita em todos nós, um convite ao despertar para os reais valores existenciais - muitos são os chamados e poucos são aqueles que se fazem escolhidos. Acordemos desse sono eterno, que nos impõe a torpe identificação com esse mundo das ilusões e passemos a investir diuturnamente no verdadeiro patrimônio, naquele que nos acompanhará por toda a vida, naquela bagagem que não pesa, mas que eleva - a bagagem espiritual, a bagagem do amor. Em cada ato, em cada palavra, em cada pensamento, tenhamos a presença do amor, deixemos o egoísmo de lado, estamos todos juntos nessa caminhada, somos todos companheiros de estada; alguns já ouviram o chamado e acordaram para tal realidade, outros, porém, teimam em se manterem zumbis, verdadeiros mortos vivos, em um permanente estado de sonambulismo; por vezes, o alarme toca perto de nós, ouvimos o barulho e abrimos os olhos - alguém está partindo - e quase que como em um pesadelo, todos choram, escravizados em que se encontram pela falsa idéia de perda, tudo em razão da plena identificação em que se encontram com o todo perecível, pois apenas nele investiram toda a sua existência, toda a sua razão de viver, vislumbrara no fruir dele a sua única missão; o alarme, então, para de tocar, e todos voltam de novo ao sono profundo, retornando a viver naquele estado de sonambulismo.. Alguns poucos porém despertam e passam a colecionar as autênticas jóias e preciosidades que a vida está a nos oferecer a cada momento, em cada instante - um sorriso, um afago, um abraço, um gesto de amparo, uma vida repleta de dedicação, na qual nos transformamos em verdadeiras usinas de alegria, levando essa energia de amor a cada canto do mundo, deixando esse rastro de ouro puro por todos os lugares por quais passamos; a crítica, a tristeza, a depressão, vibrações que contaminam a alma, não mais encontram guarida em nosso ser, tornamo-nos difusores da alegria, sempre em alto astral passamos a encarar as jogadas-instruções da vida; o brilho opaco das ilusões não mais nos seduz; nosso templo passa a ser o Universo; nossa religião primeira, a prática do amor; de nossas bocas só fluem as ditosas palavras de luz, todo o mal se apaga; de nossas mentes apenas emanam os pensamentos celestes; e eis que ouvimos o alarme, e ele toca então para nós, anunciando a chegada de um novo dia, de um grande reencontro, da hora do retorno à nossa verdadeira pátria, e com a mão no peito, o sorriso nos lábios e o coração em Deus, abrimos os portais da eternidade e nos deparamos com aquela infinita luz, proveniente de Deus, e irradiada por aquela legião de amigos que nos esperam, alguns que nos antecederam e outros que lá permaneceram nos orientando em cada ato de nossas vidas; corações unidos ao alto, preenchidos pela bagagem do amor semeada em nossa existência terrena; um extasiante sentimento de missão cumprida inunda todo o nosso ser, gerando um estado de leveza sem igual, um verdadeiro big bang cósmico se instala em nosso interno - uma explosão de luz, fruto de nossa expansão consciêncio-energética-espiritual, anunciando uma nova etapa de nossa existência, rumo a iluminação suprema, e é então que ouvimos aquela doce, suave e sagrada voz dizer, em uma melodia sem igual - "Bem aventurados os que amam, pois deles é o Reino dos Céus". INVISTAMOS NAQUELE PATRIMÔNIO QUE É ETERNO - O AMOR. ANDRÉ OLIVEIRA
Escrito por André Oliveira às 14h26
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